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O LIXO QUE EMPREGA E TRANSFORMA VIDAS

da Redação

Sexta-feira, 5 de Junho de 2015

    Abaixo, você pode ler o texto publicado no JORNAL REGIONAL, de Rio Claro (SP), em 24 de Setembro de 2011.

 

Cooperativa de Rio Claro (SP), implantada na gestão do prefeito Cláudio Di Mauro, recolhe mensalmente 45 toneladas de recicláveis e garante o trabalho de diversas famílias.

Jornal Regional de Rio Claro

 

 

O LIXO QUE EMPREGA E TRANSFORMA VIDAS

     

   O vento levanta a poeira da estrada de terra que leva ao barracão da cooperativa de recicláveis, ao som constante da britadeira. Neste cenário, adentra o portão o sexto e último caminhão baú que traz os materiais coletados no dia, ao término de mais uma jornada de trabalho.

 

   A porta do veículo se abre e dele saem dezenas de catadores, dentre eles Inair Francisca da Rocha Marcelino (45), piracicabana, residente na área rural de Rio Claro desde criança, que há 19 anos atua na coleta de material reciclável.

 

    Com o sorriso estampado no rosto e a mesma disposição de sempre, Inair ajuda a tirar do baú e arrastar para o depósito, um dos sacos com o material coletado a ser selecionado, prensado e vendido.

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   Há nove anos Inair trabalha na Cooperativa, onde é presidente, e desde março encontra-se em um barracão localizado no Distrito Industrial, onde o espaço é mais amplo e o reciclável vem limpinho, quase sem cheiro.

 

    Mas, nem sempre foi assim. Inair começou sua vida de catadora de materiais recicláveis no Aterro Sanitário de Rio Claro, conhecido como lixão, juntamente com inúmeras pessoas, necessitadas como ela, que não tinham recursos para sustentar o lar, deixando em casa o marido doente. Os quatro filhos adolescentes, levava consigo para o lixão para engrossar a coleta.

 

    Ela conta que o lixo recolhido no aterro era vendido a terceiros e ajudava na sobrevivência de sua família, mas não era suficiente para viver dignamente. “Algumas pessoas recolhiam embalagens fechadas de alimentos vencidos que os supermercados descartavam no lixão, correndo o risco de contaminar-se, mas eu não, nunca levei alimento do lixo para casa. As assistentes sociais da prefeitura passaram a ir até o aterro para conscientizar a nós, catadores, dos riscos que corríamos, acenando com propostas de ajudar-nos a formar uma cooperativa”.

 

    Segundo Inair, o fato ocorreu na gestão do prefeito Cláudio De Mauro, que mobilizou várias secretarias, dentre elas a então Sedeplama (Secretaria Municipal de Desenvolvimento, Planejamento e Meio Ambiente) e a Secretaria Municipal de Ação Social, para tirar essas pessoas do lixão e ajudá-las a conquistar uma vida mais digna. Como as pessoas não entendiam e não acreditavam em promessas, foi preciso reforçar a segurança no aterro de forma mais drástica, uma vez que os catadores, quando eram retirados, rompiam os aramados e voltavam para o aterro, pondo em risco a própria saúde e de suas famílias.

   “Muitas vezes eu mesmo corri dos guardas que atiravam para o alto na tentativa de nos assustar, mas acabei convencida da necessidade de deixar o aterro pela dona Luci, que antes era diretora da Ação Social e hoje é secretária”, diz Inair.

 

 Foi nesse período que alguns catadores resolveram aguardar a promessa que teriam um barracão próprio e receberiam ajuda na criação de uma cooperativa. A prefeitura disponibilizou, então, um barracão bem grande na Vila Martins, onde teve início o trabalho e a criação da Cooperviva - Cooperativa de Trabalho dos Catadores de Materiais Reaproveitáveis de Rio Claro, com 20 cooperados.

 

   Mais tarde os coletores tiveram seu espaço reduzido em um terço e a luta tornou-se ainda mais árdua para que chegassem até os dias de hoje.

   A presidente da Cooperviva relata que a atual administração começou a procurar um barracão mais amplo para o trabalho, até que encontrou um espaço localizado no Distrito Industrial, para possibilitar a ampliação do trabalho dos coletores. “Embora com muitos problemas no telhado e falta de sanitários, o barracão é bem maior e, em março de 2011 retomamos o trabalho a todo vapor. Ampliamos a cobertura dos bairros de 15 para 22, dobrando a quantidade de materiais recolhidos. Se antes enchíamos três caminhões por dia, hoje enchemos seis”.

 

   A prefeitura trabalha ainda na construção de um novo barracão, refeitório e cozinha, os quais deverão ser inaugurados nos próximos meses.

 

   Embora coordene todo trabalho junto aos cooperados, Inair não se sente diferente dos demais catadores e trabalha ainda mais que os companheiros. Chama para si a responsabilidade de estar junto com os coletores na busca de materiais de bairro em bairro, nos quais já conquistaram a confiança e o respeito dos doadores.

 

   “Graças ao apoio de tanta gente boa, aqui na Cooperviva me sinto em casa e feliz. Meus filhos hoje estão bem, seguiram seus destinos, e eu me sinto realizada coletando lixo, ajudando os catadores a se firmarem e, assim, colaborando também com a preservação do meio ambiente”.

 

SOBRE A COOPERVIVA

   Cooperviva recolhe, em média, 45 toneladas de recicláveis ao mês, na maioria papelão, latas de alumínio e cobre, materiais que dão maior lucro. Depois de separados, os materiais são transportados e prensados no espaço da Vila Martins. As vendas ocorrem a cada 15 dias. A idéia da Cooperviva é, quando o novo barracão estiver concluído, trazer a prensa para o novo barracão, facilitando o trabalho.

 

   O lucro mensal da cooperativa gira em torno de R$ 30 mil, sendo que cada cooperado recebe, em média, R$ 700,00 cada um. O restante do lucro é guardado em poupança para o pagamento das taxas de INSS, abono de natal, salário e férias.

 

   Além de serem registrados, os cooperados recebem cesta básica mensal e cesta de produtos naturais e orgânicos semanais, contendo verduras, frutas e legumes, providenciadas pela Ação Social junto ao Banco Municipal de alimentos.

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