TRANSPARÊNCIA

Para mobilizar, sempre partimos da ideia de respeitamos e valorizarmos cada pessoa e seu conhecimento. Defendemos o diálogo e a democracia em todas as situações pois TODOS tem muito à ensinar, uns aos outros. Por isso, atuamos de forma não leviana ou abstrata: cada pessoa é ÚNICA e tem seu direito de se expressar. Por isso, convidamos à todos que desejarem ter seus textos ou ideias publicadas em nosso BLOG, participem!

 

É dessa união que construiremos, sem dúvida alguma, uma sociedade melhor e mais HUMANA.

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IRENE

Helena Zarvos

   Ela se foi recentemente... Fechou para sempre seus olhos de certa cor esverdeada, límpida e leve. Eram alegres e transparentes! Seu olhar era idêntico ao riso... leve e cativante. Desses que parecem som orquestrado por alma feliz e boa. Teve suas dores,mas não as transformou em mascaras de ressentimento e dor,o que deixava seu rosto permanentemente iluminado.

Irene era assim.

 

   Foi diretora enquanto eu, professora, aprendia com ela a cada dia ,que estava ali acima de tudo amiga. Minha amiga, amiga dos alunos, amiga dos pais. Não esse tipo de amizade feita de algum tipo de interesse qualquer. Ela de verdade era uma pessoa acolhedora e do bem e sendo assim... Todos éramos recebidos com aquele mesmo riso leve e agradável de se ouvir.

 

   Sempre disse que mais do que ensinar,aprendi com os alunos, mas a aprender com eles, com ela aprendi. Aqueles olhos viram o mar da Grécia comigo. Mergulharam nele como que se diluindo, tamanha era a possibilidade poética de sua alma voltada à literatura e a sons como as ditas nos poemas de Fernando Pessoa.

 

   Ela lia e dizia a vida com tanta certeza de que amor era a palavra chave que não podia mesmo ter feito outra coisa que não dirigir um curso na escola que dirigiu. Carandá! Jamais esquecerei que com ela aprendi a ler o mundo, interpretar o mundo e a extrapolar todo e qualquer conceito adquirido. Parada diante do muro da entrada principal,leio o poema de sua autoria que a define,imortaliza e define o caminho por ela prescrito aos seus alunos e professores. 

 

MUROS 

Muros...muros... 

Muros existem 

Muros – obstáculo 

Muros – proteção 

Muros – construção 

Obstáculo? 

Enfrente-no 

Vocês tem a força para vencê-lo 

Escolham a forma inteligente de superá-lo. 

Proteção? 

Reconhecem-na. 

Vocês tem sensibilidade para entendê-la 

Escolham o jeito carinhoso de respeitá-la. 

Construção? 

Participem dela. 

Vocês tem habilidade para fazê-la. 

Escolham o modo solidário de perpetuá-la. 

Muros... muros... 

Muros existem. 

Vocês lhes dão o significado.

 

Irene Terron Gadel,1997

 

   Assim pensou Irene e viveu Irene. Não podia mesmo ter tido outro nome. “Irini” é paz em grego. 

  Descanse minha amiga, descanse em paz. Seu brilho ilumina ainda e vive sempiterno no mesmo olhar de suas filhas e seguidoras na grande obra que começou!

Helena Zarvos hzarvos@yahoo.com.br

Historiadora e Escritora. Sua família tem origens na Grécia.

 

 

 

Seus textos são:

Um olhar grego sobre a atual crise na Grécia 8 de junho de 2015
O mundo melhor 15 de junho de 2015
Eu Anexaria os Planetas se Pudesse 1 de julho de 2015
Irene 2 de outubro de 2015