A CRISE DO NEOLIBERALISMO QUE NÃO TEM RESULTADOS

da Redação

Sexta-feira, 12 de Fevereiro de 2016

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   No fim de 2015, Cláudio Di Mauro viajou pela Europa. Durante a jornada de Roma para Veneza, inspirou-se para escrever o artigo que segue.

 

 

A CRISE DO NEOLIBERALISMO QUE NÃO TEM RESULTADOS E NEM APRESENTA PROJETOS

Cláudio Antonio Di Mauro – Diretamente de Veneza, Itália

 

   A situação econômica, social e política do Brasil não é única. Tive oportunidade de conviver com esse mesmo formato de crise na Itália, Espanha e Portugal. Muitos pedintes nas ruas onde homens e mulheres dormem ao relento e fazem todos os tipos de esforço para receber uma moeda como esmola.

 

   As eleições nesses países, como no Brasil mostram as variações de visões entre projetos de direita e outros que se inclinam para as esquerdas, mas que ainda se baseiam em políticas neoliberais. No aspecto macroeconômico as dores são sentidas e mostradas por todos os órgãos da imprensa.

 

   Em todos esses países, bem como no Brasil as manchetes expõem a insatisfação com as políticas econômicas, mas não assumem que trata-se do projeto neoliberal. Denuncia-se o imenso fosso existente entre as classes sociais, sem assumi-lo como luta de classes. Enquanto alguns estão mergulhados em “bens materiais” há imensos contingentes populacionais que refletem na prática ou nas ruas os conflitos sociais.

 

   Tais conflitos emergem com o aspecto da insegurança das pessoas e dos patrimônios, bem como do interesse em garantir a continuidade dos níveis de consumo de alguns. As inseguranças restringem o acesso à alimentação, à moradia, aos serviços da saúde para uma parte significativa da população que se sente abandonada e permanece à espera de um “salvador”, nas igrejas e nas esperanças. Para os setores médios, aquinhoados há uma impossibilidade de ampliar os níveis de consumo, muitas das vezes, já conquistados.

 

    Sempre reclamando da falta de vantagens.

 

   Diferentes interesses, alguns legítimos, geram conflitos sociais e estimulam a violência dos diferentes setores sociais. Muitos querem acesso ao indispensável para a vida digna e humana enquanto outros querem manter os níveis de consumo e ampliá-los. Com isso, todos os setores sociais estão descontentes e reclamam por seus interesses, na maioria das vezes “fazendo justiça com as próprias mãos”.

 

    Estão exacerbados os individualismos como fatores que agudizam e radicalizam os conflitos sociais. Mais uma vez verificamos na história da humanidade o projeto de garantir a satisfação dos interesses para os indivíduos e setores que são mais fortes. Força física imposta pelas armas aliada ao principal contingente mostrado pela força econômica de dominação.

 

   Essa condução nas políticas mundiais e nacionais ignoraram as demandas apresentadas e empurraram soluções para a posteridade que nunca chegam. Suas consequências são o medo e o surgimento dos grupos organizados para a prática da violência, o crime organizado e o terrorismo internacional. Alguns se organizam em grupos para saquear pessoas e países.

 

   Está gerada uma persistente instabilidade na qual a base social tende a se indispor com a manutenção dessa “ordem” social neoliberal. Ainda que essa indisposição não tenha assumido ações conscientes e organizadas.Tudo em torno de nós emite sensação de insegurança e quase todos estão descontentes.

 

   Coloca-se em “crise” os princípios da democracia e das instituições. Há que se abordar os interesses e os benefícios oferecidos para os setores financeiros, bancos entre outros e de grandes corporações que se constituem nos pilares da sustentação do modelo vigente.

 

   Está claro que o modelo adotado, o neoliberalismo não obteve sucesso e está fadado a produzir o sofrimento humano. O incentivo ao individualismo fundamentado no consumismo acelerou e recrudesceu a luta e os conflitos de classes, requalificou a luta entre as classes, em favor do “salve-se quem puder”. Se o neoliberalismo trouxe alguns pontos positivos, ressalte-se foram a tomada de consciência e a organização de alguns setores sociais.

 

   Com isso, perde-se o medo de explicitar o confronto. Aqui há o risco da sectarização dos posicionamentos, com consequências inimagináveis.

 

   O certo e palpável é que o neoliberalismo não tem resultados, conforme suas promessas de liberdade e bem estar. Não tem esses resultados e também não apresenta projetos para serem construídos nessa direção. É um modelo que faliu e está levando de roldão todos os interesses públicos e coletivos.A humanidade tem pouco tempo para decidir seu presente e a construção do futuro.

 

   É possível que a melhor escolha seja ouvir imediatamente os reclamos das ruas, democratizando as decisões, estabelecendo o contraditório com os grupos que historicamente levaram vantagens nas relações sociais e econômicas. Esse não é um problema de um ou outro país, mas da humanidade. As observações de campo na Itália, na Espanha e em Portugal escancaram da mesma forma que no Brasil, a “olhos vistos”, uma realidade neoliberal falida e ultrapassada. Há que se definir outro caminho para o presente e o futuro das políticas econômicas, culturais, sociais e essencialmente ambientais. Será possível a construção desse sonho, dessa utopia?

 

   Para isso é preciso revisar o conceito de desenvolvimento e rejeitar as ideias do crescimento como fator decisivo para geração do bem estar social.

 

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